3 de Dezembro 2012.



Escrevi isto 27 dias atrás, e guardei as folhas na esperança de, mais uma vez, esquecer para que nada disto voltasse a fazer sentido, para que aprendesse a encontrar a solução nas minhas próprias palavras. Aquela que à semanas procuro, e vivo na ilusão de que a encontrei, aquela que se mantém escondida aquém dos nossos olhares, se é que ainda existe. Aquela solução que dizemos ter encontrado de todas as vezes que prometemos com o coração de que vai tudo ficar bem, de que vai passar, e de que no fim do dia vamos estar novamente de mãos dadas como se nada fosse; essas mesmas promessas que nos iludem até ao dia em que volta tudo á tona, e a vontade de desistir é tão grande como o próprio amor.
Sentada aos pés da tua cama pergunto-me quem és tu, o que te aconteceu.
Sempre tiveste tudo o que de melhor podia dar para cresceres, embora nem sempre tenha desempenhado o papel de mãe perfeita. Não te queria um bebé mimado. Sei que te deixámos cair várias vezes, mas se não fossem as quedas nunca tinhas conseguido aprender a andar por ti mesmo, pelo teu próprio pé. Mas então e agora? Agora que aprendeste a dar os primeiros passos? Cais a toda a hora. Nos joelhos, cicatrizes ilustram a história de uma vida, de jogo atribulados, brinquedos que se atravessaram no caminho enquanto corrias, e a felicidade luzidia nos teus olhos, em direcção ao que a tua ingenuidade e esperança escondia ser o abismo. E com todas essas quedas, vão-se formando ossos frágeis, fracturas que teimam em sarar, feridas que insistem em abrir. O coração torna-se fraco, receoso, sempre temendo a próxima queda pois sabe que o caminho diante de seus olhos está repleto de fossas, pedras, espinhos.

Com isto, a força e a vontade de seguir em frente desvanecem. Para quê percorrer árduos caminhos quando no fim não vais encontrar nada mas um amplo vazio no espaço onde tudo o que dizes ecoa e desaparece no escuro?

Sei que desistir é a palavra proibida, mas um bebé precisa de amor, de uma mãe e da estabilidade de um pai. E quando essa estrutura apresenta anomalias que nenhum parece conseguir reparar? Perdes a força e o desejo de continuar, perdes tudo, mesmo quando não ficas sem nada. Mas todo o bebé que nasce e cresce afasta-se de casa. Mas é por voltar a esta que mostra saber onde encontrar o conforto que necessita, como um pássaro livre que se depois de solto voltar a casa, é sinal que nunca partiu realmente. Tu voltas todos os dias a casa na ânsia de encontrares tudo o que sempre tiveste, mas já não és o bebé que criámos á 31 meses atrás.Quem és tu? O que te aconteceu? Onde está, agora, o menino, o bebé forte e impenetrável, de carácter imponente e benevolente que outrora ensinámos a dar os primeiros passos? Onde está, agora, o bebé que alimentámos para que crescesse forte e não efémero como te tornaste? Foi demasiado amor que recebeste e agora, tendo o coração cheio, queres partir? Ou o facto de não receberes amor suficiente, e o carinho que carecias?
Tenho saudades de quando eras pequenino e tinhas o mundo perfeito pela frente, saudades de quando todos os teus sonhos te pertenciam, de quando o amor era suficiente para te manter quente. Tanta saudade ficou que já não cabe no peito e escorre todos os dias pelos olhos. Pergunto-me o que te aconteceu e espero por uma resposta que se mantém obstante em chegar enquanto muitas outras surgem em caminho como oásis no deserto que mais tarde ou mais cedo revela-se nada mas meras ilusões e falsas esperanças de que um dia tudo vai melhorar, mesmo que conscientemente saibamos que são apenas truques que a nossa mente arranja para adiar o inevitável.

O amor é como um bebé que precisa de ser alimentado, cuidado e mimado todos os dias para que possa crescer robusto e saudável, para que se molde grande e feliz. O nosso amor é o nosso bebé, e neste momento sinto-o perdido sem rumo.

1 comentário:

Vanessa ൪ disse...

força ! com certeza tudo irá melhorar *