Não me lembro da ultima vez em que realmente escrevi. Não escrever por escrever, mas escrever para mim, para quem não me pode ouvir. Tenho tanto para dizer e nenhuma ponta por onde começar. Por hoje fica assim, e já me soube a muito. 
Se é cliché dizer que o tempo passa a voar, por algum motivo isso será aplicável a tudo o que nos rodeia. Ainda me lembro de, à dezassete anos atrás não largar as pernas da minha mãe porque queria que me desse um irmão (na altura se soubesse todo o processo por detrás disso, iria encarar este meu pedido de um modo muito mais constrangedor, mas adiante.), um pequenito que me fizesse companhia porque nunca fui uma pessoa que gostasse de se sentir sozinha. Ainda hoje, com 20 anos e tendo em conta que ainda não saí de casa permanentemente, ainda partilho quarto com o meu pequeno rato de 16 anos e não tenho qualquer problema de território com isso. Mas o que queria mesmo frizar com tudo isto é que o tempo passou tão rápido que agora já és maior que eu, já escolhes a roupa sozinho (bem, nem sempre), já não precisas da mana para te esconderes da mãe quando fazias asneira. Ainda me lembro de ti, refilão e traquina com o teu sorriso malandro, e agora apesar de continuares com todas essas características tens mais uns quantos e muitos centímetros em cima. E sabes? Tenho saudades do menino que não me pude despedir. Do menino que cresceu rápido de mais, e de um modo atribulado mas que cresceu para ser um enorme orgulho que é hoje, apesar de todos os defeitos e feitio terrível que desenvolveu (queira-se dizer, que, igual ao meu). Tenho tantas saudades de me pegares as pernas a pedir para ires brincar comigo para a rua, ou até mesmo para ficar a brincar contigo no tapete do quarto. Tenho saudades de fazermos corridas com as gotas da chuva que deslizavam na janela do carro, de escolhermos uma e ver qual das nossas é que desaparecia primeiro. Tenho saudades nas nossas brigas pelo saco de àgua quente, ou até mesmo pelo comando da televisão... Mas ao mesmo tempo não tenho saudades tuas porque sei que no fundo esse menino nunca foi embora, vai estar sempre comigo até um dia vir alguém pequenino que me vai fazer viver tudo isso outra vez, de outra maneira mas do mesmo modo e sentimento.

chá, mantas e filmes

Ok, passar o dia sozinha na residência de estudantes é sem dúvida a maior merda do mundo. A M. passou o dia com o namorado, e hoje ele vai dormir cá nas Caldas portanto presumo que amanhã seja mais um dia para eu ficar à seca. Tínhamos combinado ir visitar o ginásio que estamos a pensar frequentar e conhecer as condições mas não sei se isso vai acontecer porque quero que ela aproveite. Bem, de qualquer das maneiras se ela não puder vir vou lá eu sozinha que tenho perninhas é para andar.

Já não me lembro da última vez que não acordei preocupada com a quantidade de trabalhos que tinha para fazer. Hoje o dia foi assim: acordar tarde, tomar um pequeno almoço gigante para não ter de ir fazer almoço, petiscar de 3 em 3 horas, vaguear pelos tumblr e pelo twitter já que o facebook ultimamente só me traz dores de cabeça e pouca fé na humanidade, e afogar-me em filmes. Culpem o excesso de tempo e a altura do mês.

O F. cortou o cabelo. Pessoalmente acho que fica lindo, mas como namorada a minha opinião é sempre suspeita, sim porque julgo que para mim até com rastas ficava bonito. Ou talvez não.. Mal posso esperar para o abraçar na terça, já estou a morrer de saudades!
Fez ontem 32 meses desde a ultima vez que te vi e ainda não acredito que nunca mais o irei fazer. Passou mais um natal em tua casa. Um natal sem o teu cheiro, sem o teu prato na mesa, um natal de sofá vazio e ar tenso. Odeio os natais sem ti, e passei a odiar o próprio natal ainda mais. 
Tenho saudades tuas, saudades de escrever sobre e para ti. Dou por mim constantemente a ter-te como tema das minhas conversas, como se isso alivia-se a dor que ainda sinto, como se isso te deixasse mais vivo. Falo de ti porque tenho a constante necessidade de sentir o bater do coração quando turbilhões de memórias surgem cada vez que pronuncio o teu nome. Gostava que estivesses comigo neste momento, gostava que acompanhasses esta etapa da minha vida que tanto desejavas e partiste sem avisar, sem ficar cá para me apoiar. Chama-me louca, mas eu sei que estás feliz por eu ter ficado colocada na tua terra de sonho, no lugar onde sempre desejaste viver. Coincidência ou não agora moro em frente à casa que um dia quiseste comprar. Ás vezes penso que se o tivesses feito o teu destino poderia ter tomado outro rumo e dou por mim numa espiral de tortura na procura de alternativas que pudessem ter alterado o teu fado cruél. Ás vezes sinto que levaste metade do meu coração contigo. Sinto-me incompleta, como se nada do que faço conseguisse preencher o vazio que tenho no peito. Aindo hoje me culpo por te ter abandonado quando ficaste as tuas duas ultimas semanas acamado e já sem movimentos, mas perdoa-me por ter sido fraca e ter medo de não aguentar ver-te assim. Mas tal como me culpo a mim, culpo-te a ti por não teres esperado por mim, por não teres esperado que eu me despedisse e dissesse o quanto te amo e devia ter dito sempre que o quis, por teres partido no dia em que o quis fazer e foi tarde de mais. Pergunto-me o quão estarás zangado comigo, sei bem como eras igual a mim. 
Perdoa-me por não te conseguir visitar no teu lugar, por não conseguir estar diante ti e saber que não te posso ver ou sentir, saber que não te posso ouvir. Não sou tão forte quanto pensas que sou. Nem sei se algum dia serei. 
Dizem que o tempo cura tudo, mentira. O tempo só piora. Apaga, a cada dia que passa, o som da tua voz, os traços do teu rosto, apaga o teu cheiro e leva-o para bem longe do que a mente humana consegue alcançar. Na parede tenho a ultima fotografia que tirámos juntos quando já tudo se desmoronava dentro de ti. Penso em ti sempre que vou fazer algo importante, sempre que preciso de um anjo da guarda que me ajude, penso em ti sempre que tenho medo e sinto que o mundo à minha volta não me pertence, que o chão diante de mim é um abismo. Penso em ti todas as noites antes de adormecer porque és tu que me dá força para querer acordar nos dias cinzentos e nas manhãs frias quando tudo o que mais quero é dormir e encontrar-te algures.

Desculpa-me pelas lágrimas, mas a saudade que não cabe no coração verte pelos olhos. Amo-te avô.

Ronha e Estragos


Gaita. Estava a escrever um post do tamanho do mundo quando a net caiu e foi-se tudo. Enfim, estou à duas semanas sem ir a casa, e parecendo que não já estou a morrer de saudades do F.
Estive a semana toda atolada de trabalhos, e por isso acabei tudo na quinta e tenho um fim-de-semana repleto de ronha, chá e filmes. A minha colega de quarto foi a casa, então estou a passar estes dias com a M. e gosto muito, como sempre.

Uma vez que o meu ultimo ano foi de regime alimentar muito lamentável, voltei a comer bem e ando a tentar ao máximo manter-me saudável. O problema é que hoje é aquela altura do mês em que só nos apetece doces e porcarias, e para piorar os meus pais vieram-me visitar e levaram-me ao McDonalds. Comi um McWrap com batatas e ainda um McFlurry... Quando cheguei ao quarto devorei uma tablete de chocolate e acabo assim na cama, roliça, feliz e a lamentar-me. Acho que amanhã passo o dia a sopa e frutas, ou pelo menos devia. Vá, lado positivo, já tive a minha refeição de estragos da semana, e para a semana volto para o ginásio e acompanhada pelo meu namorado (o que aumenta a motivação). 

Neste momento estou na cozinha a ouvir alguém a assassinar a "That's what you get" dos Paramore, e a ver a M. comer pipocas enquanto carrego um filme no wareztuga com a linda da Jennifer Lawrence "Winter's Bone". Vou-me enfiar na cama e acabar assim a noite porque amanhã espera-me mais um dia de ronha!